Como praticar o Ho’oponopono Tradicional

Como praticar o Ho’oponopono Tradicional

Ho'oponopono ©Alfarrábios da Alma, 2024
Sumário

Você sabe a diferença entre o ho’oponopono tradicional e o ho’oponopono da identidade própria? Vou dar uma dica: o ho’oponopono tradicional tem muito a ver com família! Sim, é como se fosse uma espécie de oração em família. Mas um pouco mais que isso! E para que você praticaria? Para resolver os problemas familiares, conflitos, mazelas, guerrinhas, fofoquinhas, melindres e briguinhas que acontecem em todas as famílias. Então, se você quer uma ajuda para resolver os problemas familiares, fica comigo que eu vou te explicar tim tim por tim como fazer!

Você sabe a diferença entre o ho’oponopono tradicional e o ho’oponopono da identidade própria? Aliás, você sabe que existe mais de tipo de ho’oponopono? E, afinal, por que você deveria saber isso, não é? Será que faz diferença fazer um ou fazer o outro? Será que têm o mesmo efeito?

Supondo que você saiba a diferença entre um e outro, será que ainda vale a pena praticar o ho’oponopono tradicional? Será que ele é até mais poderoso por ser tradicional? Ou não tem nada a ver?

Vou dar uma dica: o ho’oponopono tradicional tem muito a ver com família! Sim, é como se fosse uma espécie de oração em família. Mas um pouco mais do que isso!

Na verdade, o ho’oponopono tradicional é bem mais poderoso que uma oração em família. Porque ele é quase uma terapia em família! É até um pouco semelhante a uma constelação familiar.

Se você tem família, sim, é possível, você praticar o ho’oponopono tradicional com a sua família! E para que você faria isso? Para resolver os problemas familiares, os conflitos, as mazelas, as guerrinhas, as fofoquinhas, os melindres e todas aquelas briguinhas que acontecem em todas as famílias.

Então, se você quer uma ajuda para resolver os problemas familiares, fica comigo que eu vou te explicar tim tim por tim como fazer!

Ho’oponopono Tradicional

Como Surgiu

O Ho’oponopono tradicional surgiu no Antigo Havaí e era usado como uma espécie de terapia de família. Ou seja, os membros de uma família se reuniam para dialogar sobre os seus relacionamentos, principalmente aqueles conflituosos. 

A estudiosa havaiana Nana Veary em seu livro “Change We Must: My Spiritual Journey”, cujo nome em português poderia ser algo como “Precisamos mudar: minha jornada espiritual” conta que o ho’oponopono era uma prática no Antigo Havaí e isso é apoiado pelos anciãos havaianos contemporâneos, quando contam suas histórias e tradições orais (Hoʻoponopono, 2023).

Essa reunião tinha o propósito de fazer o ho’oponopono, que era justamente corrigir essas relações difíceis e os conflitos, por meio de oração, discussão, confissão, arrependimento, da restituição e do perdão mútuos. Talvez hoje possamos dizer que seria algo semelhante à constelação familiar. 

E como funcionava o ho’oponopono tradicional? Geralmente, o membro mais velho da família conduzia a prática, reunindo a família. Caso os membros da família, por si mesmos, não conseguissem resolver o problema, eles poderiam recorrer a alguém de fora, que fosse respeitado. Por exemplo, um sacerdote kahuna, um amigo mais velho e mais sábio.

O Ritual

O ritual começava com uma oração. Depois, o problema era trazido à tona para ser resolvido entre os familiares. Eles discutiam sobre o problema até chegarem a uma solução, tendo o membro mais velho como intermediário, para apaziguar as discussões. Esperava-se que os membros da família tivessem a disposição para resolver os problemas e cooperassem para a solução, em vez de se agarrarem à culpa ou à própria razão.

Se fosse necessário, eram reservados períodos de silêncio para reflexão sobre as emoções conturbadas e o sofrimento causado. Os sentimentos de todos eram reconhecidos. Por fim, aconteciam a confissão, o arrependimento e o perdão. Todos liberavam (kala) uns aos outros, deixando ir. 

Eles cortavam o passado (oki), e juntos encerravam o evento com uma festa cerimonial, chamada “pani”, que muitas vezes incluía comer “limu kala” ou “alga kala”, que são algas, ou sargaços do mar do Pacífico, e que são um símbolo da libertação para os hawaianos. 

Em outras famílias, a conclusão do ho’oponopono é representada pela entrega à pessoa perdoada de uma guirlanda feita do fruto da árvore hala, que é uma espécie de pinha.

As Etapas

Assim, o processo do ho’oponopono tradicional tem as seguintes etapas:

  1. Oração de Abertura
  2. Apresentação do Problema
  3. Discussão do Problema
  4. Silêncio e Reflexão
  5. Confissão
  6. Arrependimento
  7. Perdão
  8. Liberação do outro (kala)
  9. Corte ao passado (oki)
  10. Festa Cerimonial (pani)

No entanto, realizar todo esse ritual antigamente, era algo mais fácil, já que as famílias se mantinham relativamente próximas e se reuniam com mais frequência. 

Hoje em dia, é algo bem complexo de se fazer, porque as famílias estão espalhadas em cidades, estados e até países diferentes. Minha família, por exemplo, parte dela está na Espanha, outra parte em São Sebastião e assim vai. 

E a sua família? Estão todos próximos de você? Você conseguiria se reunir com a sua família para fazer um ho’oponopono tradicional?

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Bem, se você quer tentar, eu vou apresentar aqui para você cada um dos 10 passos do ho’oponopono tradicional para que você possa praticar com a sua família, está bem?

Depois de se reunir com a sua família em um recinto silencioso e tranquilo, conforme expliquei anteriormente, um de vocês ou todos juntos devem fazer uma oração de abertura da sessão.

Oração de Abertura

A oração de abertura pode ser qualquer oração que a família esteja mais acostumada a fazer, para que todos entrem no mesmo clima de conexão com uma fonte sagrada, de acordo com as crenças da família. Pode ser o próprio Ho’oponopono da Identidade Própria, ou um Pai Nosso, uma Ave Maria, um Credo ou uma oração improvisada na hora para elevar a consciência e promover a união entre os familiares.

Vamos ver uma sugestão de oração:

Criador Divino

estamos reunidos aqui, neste momento,

para abrir nossos corações

ao perdão e ao esquecimento 

Estamos abertos ao diálogo

e à reconciliação

E por isso nos reunimos

em espírito de oração

Pedimos, então, por nossa família 

Que nossas faltas sejam preenchidas com a correção

Que nossos erros sejam convertidos em retidão

Que nossas dores sejam transformadas no contentamento

Que nossas emoções se harmonizem em sentimentos

Que nossos medos sejam dissolvidos pelo coração

Que nossas mentes fiquem plenas de compreensão

E que nossas relações familiares

sejam inspiradas pela consciência universal,

sejam cobertas pela justiça divina,

sejam preenchidas pelo amor supremo

Apresentação do Problema

No momento da apresentação do problema podem ser discutidos um ou mais problemas da família, mas é importante que o condutor da reunião explique a todos quais problemas serão tratados ali. 

Se houver muitos casos a serem tratados, podem ser feitas mais reuniões, porque uma só pode não ser suficiente para resolver tudo. Principalmente, na primeira vez que a família vai se reunir para fazer esse ho’oponopono. Pode haver muitas questões antigas para serem tratadas.

Por isso, a importância de deixar claro logo no começo, qual ou quais serão os problemas tratados naquela ocasião. Essa apresentação do problema deve ser algo bem resumido, para que seja uma exposição rápida, e imparcial, para que ninguém se sinta ofendido.

Discussão do Problema

A discussão do problema pode começar logo depois da apresentação pelo condutor e, então, ele pode dar voz aos envolvidos, para que expliquem seus pontos de vista sobre a questão. A ideia de ter um condutor é que ele vai funcionar como uma espécie de conciliador. 

É algo semelhante ao conciliador da justiça, em um processo jurídico. Em uma fase do processo, pode haver um conciliador que vai tentar um acordo entre as partes, dando a cada uma delas o direito de ser ouvida em seus argumentos. 

Por isso é muito importante que esse condutor da reunião seja uma pessoa sensata e que tem facilidade para manter o ambiente em paz, conseguindo evitar as possíveis desavenças que podem acontecer entre as partes, ou seja, entre as pessoas envolvidas.

Assim, o condutor vai dar o direito de voz, primeiro ao que está trazendo o problema à tona e logo depois ao que é considerado como o causador do problema. 

Vamos supor que em uma reunião de família tem uma mãe e uma filha com problemas e que o avô vai ser a condutora da reunião. Supondo que o problema foi trazido pela filha, que reclama que a mãe é superprotetora e não deixa a filha sair sozinha para fazer nada. No caso, o avô vai deixar a filha falar primeiro, porque ela apresentou o problema. E ele não vai permitir que a mãe interfira na fala da filha até ela terminar. Logo depois, ele vai deixar a mãe falar até terminar e não permitir que a filha interfira na fala da mãe.

O condutor pode dar voz a outros familiares que estejam na reunião e que tenham soluções para o problema. Assim, esses familiares vão apresentar essas soluções na forma de sugestões para resolver o problema. As duas poderão aceitar ou não essas sugestões. Nunca pode ser uma imposição.

Por fim, eles vão discutir, no sentido de dialogar sobre o problema, até chegarem a uma solução. O condutor vai sempre procurar apaziguar as discussões, principalmente quando acontecer descontrole emocional de qualquer um dos envolvidos.

É claro que se os membros envolvidos, por exemplo, essa mãe e essa filha, não estiverem dispostos a resolver o problema, não vai adiantar a conversa. Vai ser inútil e tudo vai continuar como está. Mas, em geral, as pessoas querem resolver os problemas. Porque elas vão viver melhor, se resolverem, não é?

Silêncio e Reflexão

Uma fase importante é a do silêncio e reflexão, que pode acontecer ou não, dependendo do comportamento dos envolvidos. Se os membros se descontrolarem, o condutor pode dar uma pausa e pedir que todos fiquem em silêncio por alguns minutos para refletirem sobre suas emoções conturbadas e sobre o sofrimento causado por aquela situação, para todas as partes envolvidas.

Nesse momento, pode ser colocada uma música meditativa, pode ter um momento de cantoria de uma música relaxante, ou o silêncio de todos para refletirem sobre suas ações. O mais importante é que cada família encontre seu jeito de fazer com que os seus membros se interiorizem, entrem para dentro de si mesmos e analisem suas próprias atitudes, emoções e pensamentos. 

Esse momento de reflexão ajuda a pessoa a reconhecer seus erros, a reconhecer os direitos do outro, a perceber que não é necessário viver em conflito, que há formas de resolver os problemas sem passar pelo sofrimento e pela dor e sem causar sofrimento ao outro.

Confissão

Depois de um momento de reflexão, fica bem mais fácil a confissão, ou seja, que os envolvidos sejam capazes de admitir seus erros. Então, o condutor pode, simplesmente, perguntar aos envolvidos no problema se eles se arrependem do modo como se comportaram e se acreditam que podem viver de outra maneira de agora em diante.

E permitir que os envolvidos falem abertamente, confessando seus erros. Em geral, um conflito familiar é marcado por erros de ambos os lados, de todos os envolvidos. Normalmente, são as diferenças de comportamento e a imcompreensao do comportamento do outro que levam aos conflitos. 

No exemplo que citamos da mãe superprotetora, a mãe deve ter suas razões para proteger, mas está passando dos limites aceitáveis para a filha e pode diminuir a preocupação, dando um pouco de liberdade para a filha. A filha, por sua vez, também pode entender que a proteção é importante e aceitar um pouco dessa proteção. 

Assim, se cada uma das partes ceder um pouco, a convivência vai ser possível. A tolerancia ao comportamento do outro que interfere na nossa vida é essencial para a convivência. Mas ambos os lados precisam fazer um ajuste fino nos comportamentos para que consigam tolerar os comportamentos um do outro.

Não dá para conviver sem ceder, sem tolerar. Mas também não é possível aceitar tudo que o outro faz. O ajuste fino por meio de uma boa conversa é essencial!

Arrependimento

O arrependimento é quando a pessoa admite que errou, por meio da confissão. Mas o arrependimento não é só confessar, é muito mais. É um sentimento que a pessoa tem de que errou e que agora vai mudar o comportamento. 

A palavra arrependimento vem da grega “metanoia” e quer dizer conversão espiritual, ou conversão intelectual, indicando uma mudança positiva de direção da mente e das atitudes. 

Assim, o arrependimento dos envolvidos significa que eles vão mudar de atitude sobre aquele problema de agora em diante.

Perdão

O perdão vai além do arrependimento, porque os envolvidos vão dar um passo positivo na direção do outro. Cada um vai entender e aceitar o porquê do outro agir daquela forma, já que tudo foi bem explicado, tudo foi dito claramente.

Assim, todas as mágoas, tristezas, dores e sofrimentos que eles causaram um ao outro não precisam mais ser guardadas como sentimentos negativos dentro deles. 

O perdão é o começo da libertação do outro. É esquecer os fatos e as emoções envolvidas, mas principalmente as emoções negativas envolvidas. A memória nem sempre nos permite selecionar o que queremos guardar. 

Quando os fatos são carregados de emoções, eles ficam mais fortes na nossa memória, ainda que de forma inconsciente. Mas se nós resolvemos o problema com esse familiar, se aquelas emoções que nos incomodavam foram embora nessa reunião, se efetivamente nós resolvemos o problema com o outro, então não vamos mais guardar aqueles fatos com a emoção negativa que tinha neles. 

Liberação do Outro (kala)

Liberar o outro é deixar que o outro siga o seu caminho em paz, como se fosse um novo começo. Agora que o problema foi resolvido, os envolvidos podem deixar o outro ter um novo começo em relação a aquele problema. 

A liberação só pode realmente acontecer se nós tivermos perdoado o outro. Do contrário, nós vamos continuar com aqueles sentimentos negativos que nós nutrimos pelo outro, devido aos problemas que ele nos causou. Por isso, os passos anteriores do perdão, do arrependimento, da confissão e do silêncio e reflexão são tão importantes. Porque são essenciais para que possamos liberar o outro.

Corte ao Passado (oki)

Liberar o outro é também cortar o passado, esquecer tudo aquilo que nós entendemos como o mal em nossa vida. Afinal, tudo que nós guardamos que está carregado de emoções vai se instalar nos nossos akashas na forma de karmas. 

Se você já praticou a meditação do Eu Superior, que nós temos aqui no canal, você vai se lembrar que, ao entrar no cone de luz que representa sua alma, você pode encontrar cristais que estão escuros, como se estivessem molhados. 

Esses cristais ficam sem luz, porque estão carregados de emoções negativas e traumas. Então, você precisa limpar esses cristais, para que eles possam brilhar novamente. 

É justamente isso que você vai fazer ao cortar o passado, ao liberar o outro. Evitar que os seus akashas fiquem cheios de emoções negativas relacionadas aos fatos que foram desagradáveis para você. 

Festa Cerimonial (pani)

Depois de cortar o passado, os envolvidos, como símbolo de perdão e de um recomeço, podem dar presentes um ao outro. Mas o presente é só simbólico! Muitas vezes, só um abraço sincero vale mais que qualquer presente!

E, por fim, a família pode fechar a reunião com uma festa cerimonial, que pode incluir alimentos que signifiquem a libertação da família, como os havaianos faziam com as algas “limu kala”. Só a confraternização da família, com aqueles pratos que todo mundo adora e que tem um gostinho de infância, aquelas comidinhas que só a sua avó fazia, já vão trazer uma grande alegria para todos!

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